quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Detalhes da Alegria (Vídeo)


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Soneto (Pablo Neruda)

Soneto (Pablo Neruda)
Me falta tempo para celebrar teus cabelos.
Um por um devo contá-los e louvá-los:
outros amantes querem viver com certos olhos,
eu só quero ser penteador de teus cabelos.
Na Itália te batizaram Medusa
pela encrespada e alta luz da tua cabeleira.
Eu te chamo brejeira minha emaranhada:
meu coração conhece as portas de teu pelo.
Quando tu extraviares em teus próprios cabelos,
não me esqueças, lembra-te que te amo,
não me deixeis perdido ir sem tua cabeleira
pelo mundo sombrio de todos os caminhos
que só tem sombra, transitórias dores,
até que o sol suba à torre de teu pelo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Amizade virtual (Vídeo)


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Flores (Poema)

Flores
Veja as flores...
São belas
Diferentes e belas
Veja as cores...
Vermelhas,  cor de rosas, amarelas, azuis, multicoloridas...
São belas
E sabe de uma coisa?
Todas estão,  em todos os lugares,  para você apreciá-las.


Elisabete Bastos

Você gosta de poema?



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cada um oferece o que transborda de dentro de si. (Augusto Branco)

Cada um oferece o que transborda de dentro de si.

"....Cada um oferece aquilo que tem e transborda de dentro de si.
Uma parreira oferece doce fruto, uma orquídea nos oferece bela flor. Um vulcão só oferece desolamento, calor, mal cheiro e larva, e não é segredo que uma cobra peçonhenta não te oferecerá mais que mortífero veneno.
É bem verdade que podemos reunir tudo isso dentro de nós, mas lembre-se: as pessoas oferecem o que transborda de dentro de si. Quando fizeres o bem a uma serpente, não espere que ela te retribua com uma rosa, por que não é o que transborda de dentro dela.
Quando fizeres bem a uma serpente, faça-o por que é este bem que transborda de dentro de ti, e é justo que compartilhemos o que de bom nós temos em excesso.Quando fizeres bem a uma serpente, faça-o por que é este bem que transborda de dentro de ti, e é justo que compartilhemos o que de bom nós temos de excesso.
Esse é o único pensamento e expectativa:  Dê a quem precisa, não espere de quem não tem. Isto te dará felicidade e te privará de decepções.
E não te eximas de fazer o bem à serpente, por que algumas coisas não nos cabe  reprovar ou punir, apenas compreender...”
(Augusto Branco)


Viva!


Parabéns!


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Poema (Mario Quintana)

O grilo procura
no escuro
o mais puro diamante perdido.

O grilo
com suas frágeis britadeiras de vidro
perfura

as implacáveis solidões noturnas.

E se o que tanto buscas só existe
em tua límpida loucura

- que importa? -


isso
exatamente isso
é o teu diamante puro!

Mario Quintana in Quintana de Bolso L&PM POCKET


A estrelas (Poema de Olavo Bilac)

Desenrola-se a sombra no regaço
Da morna tarde, no esmaiado anil;
Dorme, no ofego do calor febril,
A natureza, mole de cansaço.

Vagarosas estrelas! passo a passo,
O aprisco desertando, às mil e às mil,
Vindes do ignoto seio do redil
Num compacto rebanho, e encheis o espaço...

E, enquanto, lentas, sobre a paz terrena,
Vos tresmalhais tremulante  a flux,
- Uma divina música serena

Desce rolando pela vossa luz:
Cuida-se ouvir, ovelhas de ouro! a avena
Do invisível pastor que vos conduz...

domingo, 12 de outubro de 2014

Põe-me as Mãos nos Ombros... (Fernando Pessoa)

Põe-me as Mãos nos Ombros...Põe-me as mãos nos ombros... 
Beija-me na fronte... 
Minha vida é escombros, 
A minha alma insonte. 

Eu não sei por quê, 
Meu desde onde venho, 
Sou o ser que vê, 
E vê tudo estranho. 

Põe a tua mão 
Sobre o meu cabelo... 
Tudo é ilusão. 
Sonhar é sabê-lo. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Extraído http://www.citador.pt/poemas/poeme-as-maos-nos-ombros-fernando-pessoa

Frase do Padre Fábio de Melo




Padre Fábio de Melo

extraída do site http://frases.globo.com/padre-fabio-de-melo/pagina/3

Estar Sozinho (Fernando Pessoa)

Estar SozinhoTornei-me um homem da multidão. Nunca confiei em mim próprio o bastante para estar sozinho. Dia e noite caminhava lestamente através das multidões, acotovelando, agarrando-me ansioso a quem pudesse. Muitos pensavam que eu era ladrão. Mas comprimia o meu corpo contra o corpo dos outros como uma criança se agarra à mãe durante uma tempestade. Procurava tapar os olhos à minha consciência como uma criança procura não avistar o relâmpago; esforçava-me por tapar os meus ouvidos mentais, como uma criança procura esconder-se no regaço da mãe para não ouvir o som dos trovões. E se houvesse uma clareira nessa multidão, apressava-me, corria, os braços esticados, ansioso pelo toque do corpo de alguém, o meu próprio corpo ansioso pelo contacto fugaz. E sempre, sempre, entre a confusão e o ruído das passadas, tremia a ouvir esses passos constantes, inexoráveis. 

Fernando Pessoa - manuscrito, original em Inglês (1904-1908)
(extraído do site Citador http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200210111417&author=334)

Eu

EuEu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada ... a dolorida ... 

Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida! ... 

Sou aquela que passa e ninguém vê ... 
Sou a que chamam triste sem o ser ... 
Sou a que chora sem saber porquê ... 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou! 

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"


Boa Noite!